VAMOS DIVULGAR

Mais uma ferramenta para a divulgação de nosso trabalho, professores, pedagogos, psicológos, pais, alunos e todos que acreditam que a educação é a base para a transformação, vamos visitar e fazer sugestões, críticas para continuarmos nessa trajetória e fazer com que os nossos jovens tenham um futuro melhor, que tomem consciência que são capazes de se transformarem em atores principais neste palco que é a vida.







terça-feira, 18 de agosto de 2015

Desafios do docente em uma Universidade Universalizada.


Cada vez mais a docência universitária tem sido considerada uma caixa de segredos, onde as políticas públicas omitiram determinações quanto ao processo do ensinar. A partir da década de 90 e o com a presença do Estado Avaliativo, orientado pela qualidade/excelência, a avaliação da educação torna-se foco de interesse, sendo averiguada por um sistema nacional de medidas, com isso surgiram novos questionamentos tais como: quem seria esse novo docente universitário? Estaria o mesmo preparado para as mudanças do terceiro milênio? Exige-se, cada vez mais, capacitação em cursos de pós-graduação da área de conhecimento. Mas o docente está preparado didaticamente para o exercício acadêmico? Por premissa, considerando o tipo de graduação realizada, encontramos, exercendo a docência universitária, professores com formação didática obtida em cursos de licenciatura; outros, que trazem sua experiência profissional para a sala de aula; e, outros ainda, sem experiência profissional ou didática, oriundos de curso de especialização e/ou stricto sensu. O fator definidor da seleção de professores, até então, era a competência científica.
Ocorreram mudanças significativas também nos universitários, os mesmos cada vez mais distintos com realidade diversificada, o processo de globalização, que se adentrou de forma acentuada pelo panorama nacional, faz com que cada vez mais educando procure o espaço das universidades e os cursos também passaram por processo significativo de transformações, vamos desde os bacharelados interdisciplinares até mesmo aos cursos de curta duração denominados de tecnólogos, sem deixar de mencionar todas as graduações á distância. A concepção de docência universitária está sofrendo alterações. No plano da capacitação da área de conhecimento, os parâmetros são claros. No plano da didática, embora esses parâmetros não sejam claros, da etapa da docência universitária, caracterizada pelo laisse-faire, passa-se à etapa da exigência de desempenho docente de excelência. Tornam-se definidores: um cidadão competente e competitivo; inserido na sociedade e no mercado de trabalho; com maior nível de escolarização e de melhor qualidade; utilizando tecnologias de informação na sua docência; produzindo seu trabalho não mais de forma isolada, mas em redes acadêmicas nacionais e internacionais; dominando o conhecimento contemporâneo e manejando-o para a resolução de problemas.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Falando Sobre Leitura | Ler, por Luís Fernando Veríssimo


Ler...

Ler é o melhor remédio.
Leia jornal...
Leia outdoor...
Leia letreiros da estação do trem...
Leia os preços do supermercado...
Leia alguém!
Ler é a maior comédia!
Leia etiqueta jeans...
Leia histórias em quadrinhos...
Leia a continha do bar...
Leia a bula do remédio...
Leia a página do ano passado perdida no canto da pia enrolando chuchus...
Leia a vida!
Leia os olhos, leia as mãos. Os lábios e os desejos das pessoas...
Leia a interação que ocorre ou não entre física, geografia, informática, trabalho, miséria e chateação...
Leia as impossibilidades...
Leia ainda mais as esperanças...
Leia o que lhe der na telha...
...mas leia, e as idéias virão!

sábado, 22 de março de 2014

Só por hoje ficarei longe desse computador





O corpo existe para segurar a espinha que segura a cabeça, que sustenta os olhos e o córtex cerebral e libera os braços que são para digitar e clicar. A internet não acompanha o expediente comercial nem fecha para almoço. Todos os dias são úteis. E isso mudou minha vida. Meus horários perderam os ponteiros. Não tenho hora para comer e, à semelhança de um bebê recém-nascido, não sei mais o que é dia e o que é noite. Às 4h da madrugada estou tão pilhada como se fosse às 4h da tarde. Pronta para mamar informações e evacuar ideias.


Meu corpo existe para segurar a espinha que segura a cabeça que sustenta os olhos e o córtex cerebral. E libera os braços que são para digitar e clicar.


Meus olhos estão além do alcance. Nem a alta miopia impede que eles estejam ora aqui, ora na China.


Vão me dizer que não é a mesma coisa que estar na China com os pés fincados lá. Mas o meu cérebro não sabe disso. Talvez porque nunca tenha ido à China. Talvez porque ele já não sabe distinguir os mundos de cá e de lá.


Eu, pelo menos, fico confusa. Na maior parte das vezes, sinto-me tão presente num quanto no outro. Na verdade não sei mais qual é a bordeline. Quase sinto o cheiro, a temperatura e o sabor que vêm da tela.


Estar no lá era o sonho do personagem Cosme, da Vila Sésamo. Ele dizia: "Eu quero estar no lá". E estava sempre no aqui. Mas isso foi antes da internet. Porque hoje estamos no lá e no aqui, simultaneamente. Cosme deve estar feliz agora.


A Física mudou.


Não tenho tanta necessidade de sair de casa como antes. Uma caminhadinha básica diária que é para o sangue circular. Porém, quando tenho alguma reunião na rua, dá aquela desanimada. Para que rua se há Skype? Com áudio, webcam e modo conferência? Com a vantagem de poder, a exemplo dos apresentadores de telejornais, me arrumar apenas da cintura para cima.


Minhas relações mudaram.


Converso com amigos que estão em outros países, durante horas, com a banalidade de um clique. Fico íntima de alguém que só vi uma vez, pessoalmente, quando muito. Conheço pessoas que jamais conheceria na minha rotina mundana. Fala com gente que não falaria. Mas e daí? É só desligá-las.


E o amor? Onde fica? Não sei. Não sei nem o que é o amor. Porque a referência do amor se perdeu na leveza e facilidades das relações. Mas não culpo a internet. Talvez porque eu ame. E num relacionamento passional a gente nunca enxerga os defeitos do outro.


Nos finais de semana, eu tento sair de casa, mas a internet não deixa. Minha filha me puxa pelos braços. E como um membro dos Alcoólatras Anônimos eu digo: "Só por hoje ficarei longe desse computador".


Mas se é para ir ao cinema, já vou eu para a internet ver a programação. E, em segundos, estou chamando minha filha para ver uma animação espetacular, hospedada no site de programações culturais. Uma animação leva a outra que leva a outra e... quando vemos, o filme na tela grande se foi...


A internet definitivamente mudou a concepção de tempo e espaço. Como um buraco negro, ela suga o que estiver ao seu redor para levar à outra dimensão.


Meu corpo reclama. A natureza não o fez para ficar parado tantas horas. Há muito o que evoluir. Ainda somos primitivos diante dela.




(Por Cristiana Soares, publicitária e escritora do Blog Talk)




(FONTE: Websinder (http://websinder.uol.com.br/)