VAMOS DIVULGAR
Mais uma ferramenta para a divulgação de nosso trabalho, professores, pedagogos, psicológos, pais, alunos e todos que acreditam que a educação é a base para a transformação, vamos visitar e fazer sugestões, críticas para continuarmos nessa trajetória e fazer com que os nossos jovens tenham um futuro melhor, que tomem consciência que são capazes de se transformarem em atores principais neste palco que é a vida.
quarta-feira, 23 de abril de 2014
sábado, 22 de março de 2014
Só por hoje ficarei longe desse computador
O corpo existe para segurar a espinha que segura a cabeça, que sustenta os olhos e o córtex cerebral e libera os braços que são para digitar e clicar. A internet não acompanha o expediente comercial nem fecha para almoço. Todos os dias são úteis. E isso mudou minha vida. Meus horários perderam os ponteiros. Não tenho hora para comer e, à semelhança de um bebê recém-nascido, não sei mais o que é dia e o que é noite. Às 4h da madrugada estou tão pilhada como se fosse às 4h da tarde. Pronta para mamar informações e evacuar ideias.
Meu corpo existe para segurar a espinha que segura a cabeça que sustenta os olhos e o córtex cerebral. E libera os braços que são para digitar e clicar.
Meus olhos estão além do alcance. Nem a alta miopia impede que eles estejam ora aqui, ora na China.
Vão me dizer que não é a mesma coisa que estar na China com os pés fincados lá. Mas o meu cérebro não sabe disso. Talvez porque nunca tenha ido à China. Talvez porque ele já não sabe distinguir os mundos de cá e de lá.
Eu, pelo menos, fico confusa. Na maior parte das vezes, sinto-me tão presente num quanto no outro. Na verdade não sei mais qual é a bordeline. Quase sinto o cheiro, a temperatura e o sabor que vêm da tela.
Estar no lá era o sonho do personagem Cosme, da Vila Sésamo. Ele dizia: "Eu quero estar no lá". E estava sempre no aqui. Mas isso foi antes da internet. Porque hoje estamos no lá e no aqui, simultaneamente. Cosme deve estar feliz agora.
A Física mudou.
Não tenho tanta necessidade de sair de casa como antes. Uma caminhadinha básica diária que é para o sangue circular. Porém, quando tenho alguma reunião na rua, dá aquela desanimada. Para que rua se há Skype? Com áudio, webcam e modo conferência? Com a vantagem de poder, a exemplo dos apresentadores de telejornais, me arrumar apenas da cintura para cima.
Minhas relações mudaram.
Converso com amigos que estão em outros países, durante horas, com a banalidade de um clique. Fico íntima de alguém que só vi uma vez, pessoalmente, quando muito. Conheço pessoas que jamais conheceria na minha rotina mundana. Fala com gente que não falaria. Mas e daí? É só desligá-las.
E o amor? Onde fica? Não sei. Não sei nem o que é o amor. Porque a referência do amor se perdeu na leveza e facilidades das relações. Mas não culpo a internet. Talvez porque eu ame. E num relacionamento passional a gente nunca enxerga os defeitos do outro.
Nos finais de semana, eu tento sair de casa, mas a internet não deixa. Minha filha me puxa pelos braços. E como um membro dos Alcoólatras Anônimos eu digo: "Só por hoje ficarei longe desse computador".
Mas se é para ir ao cinema, já vou eu para a internet ver a programação. E, em segundos, estou chamando minha filha para ver uma animação espetacular, hospedada no site de programações culturais. Uma animação leva a outra que leva a outra e... quando vemos, o filme na tela grande se foi...
A internet definitivamente mudou a concepção de tempo e espaço. Como um buraco negro, ela suga o que estiver ao seu redor para levar à outra dimensão.
Meu corpo reclama. A natureza não o fez para ficar parado tantas horas. Há muito o que evoluir. Ainda somos primitivos diante dela.
(Por Cristiana Soares, publicitária e escritora do Blog Talk)
(FONTE: Websinder (http://websinder.uol.com.br/)
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
Where Did Music Standards go?
This is an op-ed style document sent for peer review assessment. It was written by Goretti Adebanjo as part of her final project at Ohio University.
During the past few days, while going through a very soothing and pleasant journey revisiting my A-Ha albums, some questions started to pop in my mind. They pertained not only to the poor quality,contemporary music that is being cumbersomely played by the main mass media vehicles but, also, to the music industry and its, most of the time, very questionable standards.
The most important and significant question that stuck and took on me, prompting this article to be written is: where did talent go? Where is it hiding, anyway?
Not only as a musician and songwriter but as a History of Music student and a music lover as well, I have a hard time understanding why this kind of meaningless rubbish that record labels unabashedly throw at us is being called music.
I'm not trying to be mordant. To the contrary, I am, in a generous and dumbfoundedly way asking- since when did it become mandatory to listen to lousy music?
Listening to music, and not this lyric-empty, nonsensical noise disposed at us, has become a proven challenge to the high quality music seeking audience.
Gone are the days when music played massively used to be of distinctively superior order. From the Big Bands and the great Jazz and Rhythm & Blues performers hitting the airwaves in the 1940s and ‘50s, to the advent of Rock’n’Roll roughly in 1955 and its evolution through the ‘60s and ‘70s, which generated many new genres and subgenres; from the Country and Western ( and, yes, they are two different things) to the World Music genre that travels across the globe reaching many different kinds of audiences, we were presented with many beautifully crafted and skillfully executed pieces. No specificity here: what I’m taking into consideration is the music quality despite the genre it belongs.
Poor quality music came into small, soft and innocent waves, shyly making their way into the shore of unconcerned listeners, who inattentively were seduced into the warm waters of low standard music. We are now washed ashore by a tsunami of impoverished lyrics, abusively electronically manipulated voices and stone crusher-like noises, courtesy of the Music Industry Business- or MIB- and its hunger for the century’s newest, best artist that will provide them with, perhaps, a couple of bucks, a couple of hits for a couple of time... or until the next best thing comes, anyway.
But if all this destruction happened, it was partially our fault: we saw the signs of the approaching disastrous wave and did nothing about it. Many listeners fell into a trap comprised of payolas sustained “earworms”.
It’s not only the matter of foul lyrics, endless repetitions, excessive slang usage or the deconfiguration of the language to an extreme point that the lyrics are unintelligible. Many other hazards follow: how can the use of playback on a live concert be possibly acceptable? Have the voice and the harmony become totally obsolete? Are the visual appeal and sensuality more important than music itself?
More than ever, visual appeal is one of the key role players when creating and developing an artist . But it shouldn’t be the only thing to be considered. Will imagery be able to support an artist when talent is missing? Or are the artists supposed to rely only on scandals, fights and DUI bits on the news?
To a crowd of unaware listeners, the sense of immediacy incites them to see first, listen later. But isn’t our audition our most delicate and important sensorial device, that goes unnoticed and uncared for in our daily lives?
In this excerpt from the book The Power Of Music: Pioneering Discoveries In The New Science Of Song by Elena Mannes, she claims:
The conductor and pianist Daniel Barenboim believes that our early connection to sound is another reason for its power — one that in today's world we sometimes forget. He thinks that because we live in a very visual society we're more aware of what we see than what we hear. But he reminds us that the latest scientific evidence reveals that the ear, which we now know is active in the womb, has an advantage over the eye. He also says: "The ear has a head start over the eye, which doesn't see anything until it comes out. The eye is also something that one can control more fully. If you don't like the way I look, and you don't want to see me, you close your eyes and I disappear. But if you don't like my voice and you're in the same room, then you cannot shut your ears in a natural way. Sound literally penetrates the human body."
In addition, neuroscientist Seth Horowitz, PhD deepens this argument in his own book The Universal Sense: How Hearing Shapes The Mind. The fragment corroborates:
Vision is a relatively fast-acting sense that works slightly faster than our conscious recognition of what we see. Smell and taste are slowpokes, working over the course of seconds or more. Touch, a mechanosensory sense, can work quickly (as in light touch) or slowly (as in pain), but only over a restricted range. By contrast, animals and humans can detect and respond to changes in sound that occur in less than a millionth of a second and to the content of complex sounds over the course of hours. Any detectable vibration represents information, to be used or ignored. And in that dimple concept lies the entire realm of sound and mind.
The hearing is one of the first doors to our brain. The extrasensorial, long lasting bliss provided by the comforting voices and masterly written lyrics sang by the gifted likes of Morten Harket, B.B. King, Sinatra, Ella Fitzgerald, Louis Armstrong; the rich guitar riffs and complex creations displayed by KISS, The Beatles, The Police or Dire Straits and the revolutionary songs by Bob Marley and Fela Kuti will go a longer way than any six pack or curvaceous nuisance in today’s music can even imagine. Unlike the abs and buttocks, talent will withstand the inclement test of time.
This plunge into decadence is fueled by the Music Industry’s insatiable thirst for jocks and cheerleaders, molded to be good looking marionettes; while passionate songwriters and musicians are being pushed away from mainstream music. Radio airwaves are now dominated by the easy to digest, disposable music.Nothing substantial or worth of being kept as a true piece of art. Somewhat, we are supporting the decay of good music!
We need to be selective of what we let into our ears and brains! We need powerful and breathtaking waves of positiveness and enrichment!
We need talent back. Soon! Not supporting these fabricated talentless artists would provide record companies and labels a reverberating wake up call. Filthy mouths matched with nasty attitudes and degrading lyrics shouldn’t be rewarded with record-breaking record sales. A concert shouldn’t be sold out because “bootylicious” is going to shake her “thang” all night long. Talent is neither present in suicidal, drug-use endorsing lyrics by some stupid “artist” nor in songs where you are only as good as the amount of money or sex you have as some rappers and pop “musicians” would defend.
Cutting support off would make it clear to the Music Industry Business that we have grown tired of this disgusting scene. Talent makes you ponder, act and strive. It makes you dream and believe. It makes you laugh and cry, it gives you solace. Talent carries you through the good and the bad times, it’s eternal.
Lyrics are meant to make you think, to make you feel. Harmonies are created around them, so they can embrace and convey compelling feelings and ideas.
Until this talent shortage is solved, I’ll resort to my music devices, escaping to good tracks, saving myself from these ghastly noises. Julian Lennon’s CD “Everything Changes” is next on the playlist, with truly magnificent lyrics and melodies. Hopefully, who knows, a change is on the way?
Bibliography
Mannes, Elena. The Power of Music: Pioneering Discoveries in the New Science of Song. New York, NY. Walker & Company, 2011. Print
Horowitz, Seth S. The Universal Sense: How Hearing Shapes The Mind. New York, NY. Bloomsbury USA, 2012. Print
domingo, 6 de outubro de 2013
As mudanças que as novas tecnologias da escrita ofertadas pelo computador e pela Internet imprimem no meio educativo.
Li e achei muito interessante.
Graduada em Jornalismo e Educação Física pela
Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS
Mestre e Doutora em Ciência do Movimento Humano, CEFD/UFSM
Especialista em Teoria do Jornalismo e Comunicação de Massa, PUC/RS
Docente adjunta do Departamento de Métodos e Técnicas Desportivas do Centro
de Educação Física e Desportos da Universidade Federal de Santa Maria – RS
Coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Comunicação e Mídia
na Educação Física e no Esporte (NEP-COMEFE)
Marli Hatje Hammes
hatjehammes@yahoo.com.br
(Brasil)
Resumo
O artigo propõe uma discussão sobre a escrita na internet e seus reflexos na sociedade. O avanço tecnológico rompeu com as regras de linguagem e criou novos hábitos e novos desejos. A tendência é que essa forma de comunicação exija mudanças no processo social-educacional, nas exigências de professores em sala de aula, no comportamento de alunos e de toda sociedade.
Unitermos: Escrita. Internet. Novas formas de comunicação.
“C vc n th entendendo nd do q tah escrito aki, eh melhor ir c acostumando: a língua surgida na internet invadiu as salas de aula, e o fenômeno é tão forte que especialistas lançam um alerta. Quem precisa se adaptar são os pais e os professores.” (ZH, 25/10/2009, p. 28-29)
“Na história da comunicação nunca houve transformação tão rápida e profunda como a que se observa neste momento. A velocidade da tecnologia, pela primeira vez, é maior do que a capacidade do ser humano de assimilar as mudanças como parâmetros culturais de uma nova era.” (Rabaça e Barbosa, 2001)
Considerações iniciais
As mudanças no meio educativo, envolvendo as novas tecnologias da escrita ofertadas pelo computador e pela internet, poderão alavancar a importância de mídias como o rádio e a televisão (que primam pela oralidade) em ações pedagógicas e deverão substituir, lentamente, a linguagem oficial/formal utilizada e exigida pelo contexto educacional. Porém, para nós brasileiros, as mudanças protagonizadas pela internet, especialmente com o internetês, correrão paralelas às mudanças propostas na ortografia da língua portuguesa. Duas questões importantes, e que não deixam de ser conflitantes quando o assunto é educação, considerando o sistema de ensino brasileiro, no momento em que a tecnologia protagoniza profundas mudanças nos hábitos e costumes sociais.
A escrita da internet, envolvendo principalmente os sites de relacionamento e os jogos eletrônicos, rompeu com as regras de linguagem e criou novos hábitos e novos desejos. A tendência é que essa forma de comunicação vai exigir mudanças no processo social-educacional, nas exigências de professores em sala de aula e no comportamento de alunos, que se expressam através da nova linguagem, inclusive, em momentos em que são exigidas as normas da língua oficial, como nas redações de concursos vestibulares e em provas de concursos públicos, por exemplo.
É importante, no entanto, destacar que as sociedades não se unificam por língua, mas por interesses comuns, por interatividade como faz a internet por exemplo. Não existe uma única maneira de falar, de se expressar. Assim como a gramática rígida é uma maneira de falar, a internet também o é (DEMO, 2005). Porém, segundo o autor, com a liberdade da internet as pessoas cometem abusos. “As crianças, às vezes, sequer aprendem bem o português porque só ficam falando o internetês. Acho que eles devem usar cada linguagem no ambiente certo, e isso implica também aprender bem o português”.
Se a tecnologia hoje causa inquietações e incertezas envolvendo as formas de comunicação entre as pessoas, por outro lado amplia nossas cognições, habilidades e experiências, com o possível surgimento de uma nova língua e uma terceira forma de comunicação. A novidade envolveria novas culturas, línguas de diferentes países e mesmo com a ausência de gramática específica, a comunicação, através da escrita, vem com características comuns entre os usuários que permitem compreensão e entendimento da mensagem.
Analisando as mudanças, é muito provável que estas gerem uma terceira forma de comunicação, com características bastante marcantes das duas existentes hoje, a verbal e a não verbal. O suporte dessa nova forma de comunicação seria a chamada “linguagem multimodal”, que segundo DEMO (2005), integra som, imagem, texto e animação.
A contribuição da comunicação verbal (oral/escrita) se daria na perspectiva das duas categorias: a formal, que segue regras gramaticais e é utilizada em discursos e textos e apresentações científicas e a informal ou coloquial utilizada no dia-a-dia, ou seja, na comunicação interpessoal, dominada pelo senso comum e com gírias. Já a comunicação não-verbal, que utiliza a linguagem gestual, facial e corporal, usa também outros códigos para a comunicação entre as pessoas, como desenhos, sons, pinturas. Esta é responsável por 65% da comunicação humana.
Sobre os dilemas na escola envolvendo a escrita na internet, o Jornal Zero Hora, Porto Alegre,RS, publicou reportagem em 25/10/2009 (p.28-29) chamando atenção de pais e professores sobre a necessidade deles se adaptar e saber lidar com a linguagem digital usada pelos filhos. É uma nova forma de interagir com o mundo, diferente daquela proposta pela escola que ainda prima pelo processo que privilegia o ler, escrever e o contar. Para DEMO (2008), (...) “a linguagem que ela usa (a criança) na escola, quando ela volta para casa ela não vê em lugar nenhum. A escola parece um mundo estranho. As linguagens, hoje, se tornaram multimodais, um texto que já tem várias coisas inclusas, som, imagem, texto, animação. Um texto deve ter tudo isso para ser atrativo”.
As características comuns entre os usuários da internet para se comunicar através da escrita, segundo o jornal são: a) os internautas utilizam abreviações para acelerar o processo de comunicação através da escrita; b) troca de letras para tornar a comunicação mais coloquial, próxima da fala-som; c) repetições e interjeições que conferem um tom mais oral às conversas e expressam sentimentos de quem está “falando” (Ooooiiii!!!; Te adoooooro!); d) falta de acentuação além de agilizar a escrita, encontra sustentação na configuração dos teclados, que são distintos. Segundo relata o jornal Zero Hora, a configuração dos teclados é uma das origens da popularização da escrita sem acentos; e) utilizar letras maiúsculas na internet é caracterizado como “gritar alguma coisa para alguém. Palavras escritas com letra maiúscula são consideradas agressivas, embora isso dependa do contexto; f) ícones multimídia, são aqueles bonequinhos ou aquelas carinhas que ilustram o “estado de espírito” do internauta. Eles substituem a própria escrita “sucinta” da internet. Para os internautas (inclusive para a sociedade em geral, porém em menor grau), são mais um código diferenciado de comunicação; g) invenções são as seqüências estranhas de letras que nada mais significam que uma risada internética, como “.heasuiheasuiheauishe”.
Se por um lado as novas tecnologias da escrita podem trazer problemas ao meio educacional quanto ao uso correto da língua (linguagem formal, científica), por outro podem ser (e são para os internautas mais ativos) novos protagonistas que ratificam o antigo e elementar conceito de comunicação, que pode ser entendido a partir do clássico esquema tricotômico da comunicação - Fonte-Mensagem-Receptor – estabelecido por Aristóteles e publicado no Dicionário da Comunicação (Rabaça e Barbosa, 2001), ou seja, comunicação é todo o processo de transmissão e de troca de mensagens entre seres humanos.
É necessário, no entanto, ressaltar que a comunicação somente se efetiva entre emissor-receptor se a mensagem for recebida e decodificada pelo receptor, por isso é necessário que ambos estejam sintonizados no mesmo contexto, devem utilizar um mesmo código e estabelecerem um efetivo contacto através de um meio de comunicação. Se qualquer um destes elementos falhar, ocorre o chamado ruído na comunicação, um fenômeno que perturba de alguma forma a transmissão da mensagem e sua recepção ou decodificação por parte do receptor. E é exatamente esta (possível) falta de sintonia na linguagem entre professor e aluno que hoje não deixa de ser um problema no meio educacional. Temos percebido ao longo dos anos, que a linguagem da internet ainda não é dominada pela sociedade em geral, o que em alguns momentos dificulta a comunicação.
Considerações finais
A inserção da tecnologia no meio educacional (mesmo que indiretamente), requer um novo aluno e um novo professor, um mediador das informações que chegam em diferentes linguagens, porém com características próprias. Aqueles que utilizam sites de relacionamentos e jogos eletrônicos já criam uma linguagem própria, diferente dos professores de escolas, de pesquisadores e estudiosos que tratam o conhecimento e sua divulgação de forma científica, formal e seqüencial.
Para DEMO (2008), a escola precisa se situar nas habilidades do século XXI, que ainda não estão presentes no contexto escolar, mas aparecem em casa, no computador, na internet e na lan house. É neste ponto que o autor sugere uma grande mudança, que começa com e pelo professor. “Não há como substituir o professor. Ele é a tecnologia das tecnologias e deve se portar como tal”.
Se a tradicional linguagem escrita que ainda prevalece nos meios acadêmico e educacional (escolar e não escolar) permanecerá, somente o tempo dirá. A única certeza é de que muitos internautas de hoje, simpatizantes e defensores do internetês, serão futuros professores e pesquisadores.
Nesse contexto, é importante considerar que o internetês e o próprio hipertexto rompem com uma lógica de construção textual, com o pensamento linear, como destaca LÉVY (1993) e estas novas formas de se comunicar, de maneira formal ou informal, permitem articular ao mesmo tempo diferentes competências e habilidades. A internet está fazendo com que a sociedade e, principalmente, o aluno deixem de pensar e escrever tudo de maneira muito estática, ordenada e seqüencial. DEMO (2005), por exemplo acredita que “o texto impresso, ordenado, vai continuar, mas vai entrar muito mais o texto da imagem, que não é hierárquico, não é centrado, é flexível, é maleável. É um texto que permite criação conjunta”.
Com o avanço tecnológico, é fundamental que o professor atente para o novo conceito de “cultura popular” quando a questão envolve linguagem e comunicação. Conforme destaca DEMO (2005), “cultura popular agora é mp3, DVD, televisão, internet. Essa é a linguagem que as crianças querem e precisam e ela não exclui o texto.” O autor chama atenção também para a importância do texto da internet chamado “re-mix”, elaborado a partir de outros textos.
Diante do contexto apresentado, é importante que os cursos superiores de formação profissional atentem para estas transformações e mudanças e se aliem às escolas e sua comunidade no sentido de articular ações que garantam eficiência ao processo de ensino-aprendizagem, a partir do avanço e do desenvolvimento da tecnologia, inclusive, no que tange as novas formas de linguagem e comunicação. Por outro lado, é fundamental que os professores das escolas tenham consciência para aceitar novas possibilidades de comunicação e interação, pois toda forma de comunicação dever ser compreendida e aceita em todos os contextos, mas sobretudo, que estejam preparados para estabelecer limites às novas formas de comunicação, para que não se comprometa a formação de cidadãos em sua essência.
Referencial bibliográfico
DEMO, Pedro. Os desafios da linguagem do século XXI para o aprendizado na escola. Palestra, Faculdade OPET, junho 2008. Site: http://www.nota10.com.br
JORNAL ZERO HORA. O jeito de escrever na internet invadiu a sala de aula, 25 de outubro de 2009, P.28-29.
PALMA, Luciana Erina. Comunicação: fundamento para a mediação pedagógica em Educação Física. Tese: CEFD-UFSM, 2004.
PIERRE, Lévy. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. São Paulo: Editora 34, 1993.
RABAÇA, Carlos Alberto & BARBOSA, Gustavo. Dicionário de Comunicação. São Paulo: Campus, 2001.
SANTOS, Roberto Elísio. As teorias da comunicaçao: Da fala à Internet. São Paulo: Editora Paulinas, 2003.
Graduada em Jornalismo e Educação Física pela
Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS
Mestre e Doutora em Ciência do Movimento Humano, CEFD/UFSM
Especialista em Teoria do Jornalismo e Comunicação de Massa, PUC/RS
Docente adjunta do Departamento de Métodos e Técnicas Desportivas do Centro
de Educação Física e Desportos da Universidade Federal de Santa Maria – RS
Coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Comunicação e Mídia
na Educação Física e no Esporte (NEP-COMEFE)
Marli Hatje Hammes
hatjehammes@yahoo.com.br
(Brasil)
Resumo
O artigo propõe uma discussão sobre a escrita na internet e seus reflexos na sociedade. O avanço tecnológico rompeu com as regras de linguagem e criou novos hábitos e novos desejos. A tendência é que essa forma de comunicação exija mudanças no processo social-educacional, nas exigências de professores em sala de aula, no comportamento de alunos e de toda sociedade.
Unitermos: Escrita. Internet. Novas formas de comunicação.
“C vc n th entendendo nd do q tah escrito aki, eh melhor ir c acostumando: a língua surgida na internet invadiu as salas de aula, e o fenômeno é tão forte que especialistas lançam um alerta. Quem precisa se adaptar são os pais e os professores.” (ZH, 25/10/2009, p. 28-29)
“Na história da comunicação nunca houve transformação tão rápida e profunda como a que se observa neste momento. A velocidade da tecnologia, pela primeira vez, é maior do que a capacidade do ser humano de assimilar as mudanças como parâmetros culturais de uma nova era.” (Rabaça e Barbosa, 2001)
Considerações iniciais
As mudanças no meio educativo, envolvendo as novas tecnologias da escrita ofertadas pelo computador e pela internet, poderão alavancar a importância de mídias como o rádio e a televisão (que primam pela oralidade) em ações pedagógicas e deverão substituir, lentamente, a linguagem oficial/formal utilizada e exigida pelo contexto educacional. Porém, para nós brasileiros, as mudanças protagonizadas pela internet, especialmente com o internetês, correrão paralelas às mudanças propostas na ortografia da língua portuguesa. Duas questões importantes, e que não deixam de ser conflitantes quando o assunto é educação, considerando o sistema de ensino brasileiro, no momento em que a tecnologia protagoniza profundas mudanças nos hábitos e costumes sociais.
A escrita da internet, envolvendo principalmente os sites de relacionamento e os jogos eletrônicos, rompeu com as regras de linguagem e criou novos hábitos e novos desejos. A tendência é que essa forma de comunicação vai exigir mudanças no processo social-educacional, nas exigências de professores em sala de aula e no comportamento de alunos, que se expressam através da nova linguagem, inclusive, em momentos em que são exigidas as normas da língua oficial, como nas redações de concursos vestibulares e em provas de concursos públicos, por exemplo.
É importante, no entanto, destacar que as sociedades não se unificam por língua, mas por interesses comuns, por interatividade como faz a internet por exemplo. Não existe uma única maneira de falar, de se expressar. Assim como a gramática rígida é uma maneira de falar, a internet também o é (DEMO, 2005). Porém, segundo o autor, com a liberdade da internet as pessoas cometem abusos. “As crianças, às vezes, sequer aprendem bem o português porque só ficam falando o internetês. Acho que eles devem usar cada linguagem no ambiente certo, e isso implica também aprender bem o português”.
Se a tecnologia hoje causa inquietações e incertezas envolvendo as formas de comunicação entre as pessoas, por outro lado amplia nossas cognições, habilidades e experiências, com o possível surgimento de uma nova língua e uma terceira forma de comunicação. A novidade envolveria novas culturas, línguas de diferentes países e mesmo com a ausência de gramática específica, a comunicação, através da escrita, vem com características comuns entre os usuários que permitem compreensão e entendimento da mensagem.
Analisando as mudanças, é muito provável que estas gerem uma terceira forma de comunicação, com características bastante marcantes das duas existentes hoje, a verbal e a não verbal. O suporte dessa nova forma de comunicação seria a chamada “linguagem multimodal”, que segundo DEMO (2005), integra som, imagem, texto e animação.
A contribuição da comunicação verbal (oral/escrita) se daria na perspectiva das duas categorias: a formal, que segue regras gramaticais e é utilizada em discursos e textos e apresentações científicas e a informal ou coloquial utilizada no dia-a-dia, ou seja, na comunicação interpessoal, dominada pelo senso comum e com gírias. Já a comunicação não-verbal, que utiliza a linguagem gestual, facial e corporal, usa também outros códigos para a comunicação entre as pessoas, como desenhos, sons, pinturas. Esta é responsável por 65% da comunicação humana.
Sobre os dilemas na escola envolvendo a escrita na internet, o Jornal Zero Hora, Porto Alegre,RS, publicou reportagem em 25/10/2009 (p.28-29) chamando atenção de pais e professores sobre a necessidade deles se adaptar e saber lidar com a linguagem digital usada pelos filhos. É uma nova forma de interagir com o mundo, diferente daquela proposta pela escola que ainda prima pelo processo que privilegia o ler, escrever e o contar. Para DEMO (2008), (...) “a linguagem que ela usa (a criança) na escola, quando ela volta para casa ela não vê em lugar nenhum. A escola parece um mundo estranho. As linguagens, hoje, se tornaram multimodais, um texto que já tem várias coisas inclusas, som, imagem, texto, animação. Um texto deve ter tudo isso para ser atrativo”.
As características comuns entre os usuários da internet para se comunicar através da escrita, segundo o jornal são: a) os internautas utilizam abreviações para acelerar o processo de comunicação através da escrita; b) troca de letras para tornar a comunicação mais coloquial, próxima da fala-som; c) repetições e interjeições que conferem um tom mais oral às conversas e expressam sentimentos de quem está “falando” (Ooooiiii!!!; Te adoooooro!); d) falta de acentuação além de agilizar a escrita, encontra sustentação na configuração dos teclados, que são distintos. Segundo relata o jornal Zero Hora, a configuração dos teclados é uma das origens da popularização da escrita sem acentos; e) utilizar letras maiúsculas na internet é caracterizado como “gritar alguma coisa para alguém. Palavras escritas com letra maiúscula são consideradas agressivas, embora isso dependa do contexto; f) ícones multimídia, são aqueles bonequinhos ou aquelas carinhas que ilustram o “estado de espírito” do internauta. Eles substituem a própria escrita “sucinta” da internet. Para os internautas (inclusive para a sociedade em geral, porém em menor grau), são mais um código diferenciado de comunicação; g) invenções são as seqüências estranhas de letras que nada mais significam que uma risada internética, como “.heasuiheasuiheauishe”.
Se por um lado as novas tecnologias da escrita podem trazer problemas ao meio educacional quanto ao uso correto da língua (linguagem formal, científica), por outro podem ser (e são para os internautas mais ativos) novos protagonistas que ratificam o antigo e elementar conceito de comunicação, que pode ser entendido a partir do clássico esquema tricotômico da comunicação - Fonte-Mensagem-Receptor – estabelecido por Aristóteles e publicado no Dicionário da Comunicação (Rabaça e Barbosa, 2001), ou seja, comunicação é todo o processo de transmissão e de troca de mensagens entre seres humanos.
É necessário, no entanto, ressaltar que a comunicação somente se efetiva entre emissor-receptor se a mensagem for recebida e decodificada pelo receptor, por isso é necessário que ambos estejam sintonizados no mesmo contexto, devem utilizar um mesmo código e estabelecerem um efetivo contacto através de um meio de comunicação. Se qualquer um destes elementos falhar, ocorre o chamado ruído na comunicação, um fenômeno que perturba de alguma forma a transmissão da mensagem e sua recepção ou decodificação por parte do receptor. E é exatamente esta (possível) falta de sintonia na linguagem entre professor e aluno que hoje não deixa de ser um problema no meio educacional. Temos percebido ao longo dos anos, que a linguagem da internet ainda não é dominada pela sociedade em geral, o que em alguns momentos dificulta a comunicação.
Considerações finais
A inserção da tecnologia no meio educacional (mesmo que indiretamente), requer um novo aluno e um novo professor, um mediador das informações que chegam em diferentes linguagens, porém com características próprias. Aqueles que utilizam sites de relacionamentos e jogos eletrônicos já criam uma linguagem própria, diferente dos professores de escolas, de pesquisadores e estudiosos que tratam o conhecimento e sua divulgação de forma científica, formal e seqüencial.
Para DEMO (2008), a escola precisa se situar nas habilidades do século XXI, que ainda não estão presentes no contexto escolar, mas aparecem em casa, no computador, na internet e na lan house. É neste ponto que o autor sugere uma grande mudança, que começa com e pelo professor. “Não há como substituir o professor. Ele é a tecnologia das tecnologias e deve se portar como tal”.
Se a tradicional linguagem escrita que ainda prevalece nos meios acadêmico e educacional (escolar e não escolar) permanecerá, somente o tempo dirá. A única certeza é de que muitos internautas de hoje, simpatizantes e defensores do internetês, serão futuros professores e pesquisadores.
Nesse contexto, é importante considerar que o internetês e o próprio hipertexto rompem com uma lógica de construção textual, com o pensamento linear, como destaca LÉVY (1993) e estas novas formas de se comunicar, de maneira formal ou informal, permitem articular ao mesmo tempo diferentes competências e habilidades. A internet está fazendo com que a sociedade e, principalmente, o aluno deixem de pensar e escrever tudo de maneira muito estática, ordenada e seqüencial. DEMO (2005), por exemplo acredita que “o texto impresso, ordenado, vai continuar, mas vai entrar muito mais o texto da imagem, que não é hierárquico, não é centrado, é flexível, é maleável. É um texto que permite criação conjunta”.
Com o avanço tecnológico, é fundamental que o professor atente para o novo conceito de “cultura popular” quando a questão envolve linguagem e comunicação. Conforme destaca DEMO (2005), “cultura popular agora é mp3, DVD, televisão, internet. Essa é a linguagem que as crianças querem e precisam e ela não exclui o texto.” O autor chama atenção também para a importância do texto da internet chamado “re-mix”, elaborado a partir de outros textos.
Diante do contexto apresentado, é importante que os cursos superiores de formação profissional atentem para estas transformações e mudanças e se aliem às escolas e sua comunidade no sentido de articular ações que garantam eficiência ao processo de ensino-aprendizagem, a partir do avanço e do desenvolvimento da tecnologia, inclusive, no que tange as novas formas de linguagem e comunicação. Por outro lado, é fundamental que os professores das escolas tenham consciência para aceitar novas possibilidades de comunicação e interação, pois toda forma de comunicação dever ser compreendida e aceita em todos os contextos, mas sobretudo, que estejam preparados para estabelecer limites às novas formas de comunicação, para que não se comprometa a formação de cidadãos em sua essência.
Referencial bibliográfico
DEMO, Pedro. Os desafios da linguagem do século XXI para o aprendizado na escola. Palestra, Faculdade OPET, junho 2008. Site: http://www.nota10.com.br
JORNAL ZERO HORA. O jeito de escrever na internet invadiu a sala de aula, 25 de outubro de 2009, P.28-29.
PALMA, Luciana Erina. Comunicação: fundamento para a mediação pedagógica em Educação Física. Tese: CEFD-UFSM, 2004.
PIERRE, Lévy. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. São Paulo: Editora 34, 1993.
RABAÇA, Carlos Alberto & BARBOSA, Gustavo. Dicionário de Comunicação. São Paulo: Campus, 2001.
SANTOS, Roberto Elísio. As teorias da comunicaçao: Da fala à Internet. São Paulo: Editora Paulinas, 2003.
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